Esse é um trecho de um dos dois livros que estou escrevendo. Espero que gostem.

-Bem Thanaar, eu entendo que você seja o herdeiro do trono e que fique furioso quando alguém desafia sua autoridade.

Quem dizia isso era o ancião de longa barba negra, seu nome era Laurenber, e ele possuia um timbre de voz que acalmava o coração dos mais exaltados. Diante dele estava o orgulhoso príncipe Thanaar, vestido em sua armadura prateada. A voz estranha de Efast chegava a incomodar os ouvidos do idoso.

-Você é um tolo, principe de reino nenhum, não tem poder suficiente sequer para levantar as mãos contra as forças que o fizeram sair de seu trono de fantasia, e acha que pode desrespeitar e humilhar qualquer criatura que caminhe nestas terras.

O príncipe de cabelos dourados também era hábil guerreiro, e desembainhou sua espada em uma fração de segundo, passando a lâmina sobre o ombro do velho, e a ponta da espada parou a poucos centímetros do rosto desfigurado do sombrio Efast.

– Eu faço e falo o que bem quero, e não volto atrás em minhas decisões. Não é a primeira vez que há discussões sobre isso e acredito que meus motivos estejam bem claros. Você disse ter uma tarefa a cumprir nos próximos dois dias de viagem, e se vai se separar do restante do grupo, nomearei outro para sua função.

Efast ofendeu-se

-Não custa nada aguardar algum tempo até meu retorno, Thanaar. Nenhum de vocês conversa com as sombras e com as criaturas ocultas desta floresta.

O príncipe olhou com seriedade para os dois restantes do grupo, que aparentemente indiferentes à discussão, cuidavam de preparar uma fogueira para se aquecerem, pois a noite aos poucos já escurecia o céu. O guerreiro do povo réptil, Tzaark, olhou de soslaio para Thanaar, e o principe conseguiu sentir no semblante deste uma intensa reprovação. O jovem Amwe evitava até olhar, com medo da rispidez de Efast.

-Tolossss vão disssscutir e ssse desssentender até quando? O réptil já mostrava impaciência com suas poucas palavras.

Uma suave brisa gelada soprou anunciando o cair da noite.