O lado educativo da coisa

Claro, conversas de bar sempre podem nos dar novas perspectivas, além de ressacas e uma série de problemas. Estou dizendo isso porque foi numa dessas, depois do trabalho tomando uma cerva, que conversava com um amigo a respeito de várias coisas: Mulheres(sempre que uma ou outra digna de nota cruzava nossa mesa), Futebol(Flamengo, no meu caso) e… Bem… Como eu não perco esse hábito, conversávamos também sobre filosofia e literatura.

Nesse tempo, comentei sobre uma história que estou escrevendo(por acaso a mesma de que este blog trata) e alguns dos personagens. Até que surgiu uma pergunta curiosa:

– Seu público é juvenil, não é?

Peraí, quer dizer que todo e qualquer conteúdo de fantasia medieval é literatura infanto-juvenil? Bem… Isso me leva à uma outra pergunta divisora de águas, quando nos colocamos a escrever nossas sagas, aventuras, histórias, triologias ou necronomicans…

O que faz um conteúdo ser Adulto?

Vou reproduzir aqui uma frase do grande mestre J.R.R Tolkien (carta #181):
Mas, evidentemente, se alguém decide se dirigir a adultos (mentalmente adultos, em qualquer caso), eles não serão excitados, deleitados ou comovidos ao menos que o todo, ou os incidentes, pareçam ser sobre algo que mereça consideração, mais exemplos que mero perigo e fuga: deve haver alguma relevância à situação humana (de todos os períodos).

E agora a definição da Wikipédia para Literatura Juvenil:
É um ramo da literatura dedicada a leitores entre dez a quinze anos de idade. Fatos comuns a obras literárias juvenis em geral incluem:
* geralmente, apresentam temas de interesse ao jovem adolescente, muitas vezes controversos, como sexo, violência, drogas, relacionamentos amorosos, etc;
* personagens, especialmente protagonistas, da mesma faixa etária dos leitores;
* podem possuir imagens e fotos, mas não necessariamente; são basicamente constituídas de texto;
* obras literárias juvenis geralmente apresentam um número maior de páginas, podendo alcançar 200 a 300 páginas em vários casos.
Muito mais do que definir se jogos de RPG são coisa de criança ou adulto, ou ficar chateado porque um amigo meu achou as histórias que escrevo infantis, quero refletir rapidamente sobre o alcance que nosso jogo (O RPG) e o tipo de material sobre o qual escrevemos (Histórias de terror pessoal de vampire, fantasias medievais de D&D ou Histórias de super heróis de GURPS) possui sobre uma faixa de idade que precisa ser cada vez mais esclarecida.

Eu tenho sempre intenção de dirigir o que escrevo, até mesmo aventuras para jogar RPG, para pessoas adultas. Mas não desejo de forma nenhuma excluir os mais jovens. Na verdade acho interessante o lado educativo de nosso hobby, o RPG, tentativas de incluir os mais jovens em nossa realidade. Violência, fome, guerra e política são parte de nosso mundo e acredito que é nosso papel como adultos que jogam/praticam o Roleplaying Game preparar toda e qualquer pessoa para o mundo que está aí fora. Talvez por isso, quando falo a respeito dos materiais que produzo a coisa toda aparente ser voltada para um público mais jovem.

Enfim, eu quero mesmo com esse post é me dirigir a você, mestrão, joga desde a época da xerox… É importante usar o RPG para educar, sim. E é uma ferramente poderosa! Um figurão político que consegue tudo o que quer pode ser um NPC, ou um super herói que graças a seus poderes disputa o título de “herói do morro” com o líder do tráfico local. As possibilidades são ilimitadas, mas o conselho é: abuse disso, permita que um mínimo detalhe da sua aventura traga situações do mundo real, do cotidiano, para que nossas aventuras rotineiras transcendam a mera diversão e se tornem cultura.

Saudações by João Berkel