Entrevista com o Vampiro

Eis uma resenha do livro em que Anne Rice apresentou o famoso vampiro Lestat ao mundo. Essa mulher tem algum problema, os monstrinhos que ela inventou são um show à parte. Marius de Romanus e a sinistra Pandora são personagens que estarão sempre no meu top-ten pessoal.

Anne_RiceQuero muito falar de quatro personagens do “Entrevista”: São Eles Louis de Pointe du Lac, Claudia, Armand e CLARO… Lestat.

Começo então, com o fraco Louis. Pois bem (sem querer já deixo escapar alguma opinião pessoal sobre esse personagem), Louis pretende ser o personagem com o qual o leitor se identificará: Um vampiro cristão que “acha” que ainda é humano, e que se recusa a matar porque “é pecado”. No entanto os outros vampiros o amam exatamente por isso, um “vampiro meio-humano”. Uma coisa interessante é a sobrevivência de Louis de pointe du lac, porque um morto-vivo assim seria eliminado facilmente por qualquer vampiro pouco apaixonado por sua própria espécie. Louis é chato, lamurioso, reclamão, infantil e iludido. A visão de “Entrevista” é a perspectiva de Louis, narrador da história, que imprime a ela sua opinião pessoal. Nada que não tenhamos visto em “Dom Casmurro” ou “São Bernardo”.

O segundo personagem marcante é a pequena Claudia. Produto exclusivo da fábrica de impulsos que é o vampiro Lestat de Lioncourt. Uma vampira infante! Seria ela fruto do capricho ou da loucura de Lestat? Louis (o idiota) não faz idéia do que está realmente acontecendo e passa ao largo da verdade (como sempre). Claudia é visceral, assim como Lestat, talvez o erro do vampirão não tenha sido criar Claudia e sim tê-la deixado na ignorância. Lioncourt podia ter dito pra ela apenas que sabia mais do que ela acreditava que ele soubesse, e aí a tragédia seria outra. Tem umas vertentes que afirmam que a Claudia era sedenta por poder, não entendo dessa forma, acho que ela buscava conhecimento. Se ela quisesse mesmo o poder de Lestat teria procurado beber dele.

Armand é o vampiro adolescente. Conheço leitores de Anne que carregam uma péssima impressão desse personagem por causa da interpretação de Antonio Banderas no filme de Neil Jordan. E graças a Deus, o verdadeiro vampiro Armand passa longe, MUITO LONGE do que foi apresentado no filme e na interpretação de Banderas. Aliás, a diferença começa na aparência, porque o vampiro Armand é um menino com o lampejo no olhar que só a sabedoria concede. O personagem é um ser confuso pela rigorosa religiosidade de sua vida mortal e ao mesmo tempo ávido por conhecimento, um campo vasto a ser explorado que Anne Rice usa muito bem. Nesse livro ele não passa de um mero coadjuvante, apaixonando-se por Louis em uma tentativa de compreender a época.

Enfim, temos Lestat, a cereja do bolo! Vilão? Herói? Certo? Errado? Não dá para dizer, por causa da narrativa afetada e sentimental de Louis. Esse aqui você tem que ler o livro para saborear a riqueza e complexidade, porque Lestat traz à tona, em meio à violência de sua existência monstruosa, a beleza de ser humano.

Bem… Devo admitir que o fato de Louis ser um tremendo idiota é o que torna Entrevista com o Vampiro interessante. Por ser um Vampiro muito sensível, acaba dando um tom dramático e até angustiante ao enredo. Enxerga o mundo com um cuidado completamente afetado e ao mesmo tempo faz pré-julgamentos severos quanto a seu criador, o Vampiro Lestat. Louis não supõe que Lestat pode estar escondendo algo. Egoísta como somente um senhor de escravos na américa poderia ser, acredita que Lestat quer seus bens e que não passa de um assassino, o que é um passo em falso. Desenvolve-se então o (terrível) lado emocional do monstro, pois todos os Vampiros passam pela mesma sensação de desespero e angústia de nosso pobre Louis, e cada um lida com isso de sua própria forma e isso torna a busca dele e da pequena Claudia um fracasso previsível. O livro acaba se tornando então uma metáfora da vida humana, onde a falta de respostas e a busca incessante por ela nos leva apenas a mais e mais perguntas.

Admito, admito, eu recomendaria a leitura de “Entrevista com o vampiro” facilmente. É uma das leituras que acompanhou minha adolescência. Quem não sabe fica sabendo que a pessoa LINDA que traduziu esse livro é a poderosa Clarice Lispector, outro bom motivo para você ler essa obra.

Observações sobre o Filme:

Me desculpem os fãs de Brad Pitt e Antonio Banderas, mas as atuações deles no filme que tenta reproduzir a obra são PÍFIAS! Uma completa vergonha como a coisa é superficial. Tudo bem que Louis é um tremendo molóide, mas nosso amigo Brad, é decepcionante. No mais, Salvo o Tom Cruise e acho Kirsten Dunst fantástica.