Como Usar Literatura no RPG? – Parte Final

Estabelecido que temos uma história escrita ou contada verbalmente, ou seja, temos LITERATURA(êêêê) chegamos ao nosso ponto: Como tornar essa literatura MAIS literatura?
Vamos comentar três fatores que podem ajudar a evoluir suas aventuras no sentido literário. Em primeiro lugar, tenho que bater em uma tecla que já está gasta e corroída pelo tempo:

1 – QUAL É O SENTIDO?

Poxa, sua história será literatura se os elementos dela tiverem relação entre si. Os elementos de uma narrativa se relacionam, sim! Então veja bem, não distribua monstros aleatoriamente na caverna, dê a eles uma razão para estar lá. Não KoboldShamanfaça de sua sessão de RPG uma sucessão de fatos aleatórios, as coisas estão cada uma em seu lugar porque tem um motivo razoável. Use seu bom-senso para equilibrar essas coisas, e tudo vai sair direitinho, parecido com uma história que valha a pena ser contada! Existe uma aventura do primeiro Baldurs Gate(um jogo offline para computador) em que uma das primeiras missões é resgatar uma pessoa feita cativa por kobolds em uma caverna, eis aí um exemplo CLÁSSICÃO de um calabouço! E vejam que não tem uma variedade enorme não, a maioria dos monstros na tal caverna são kobolds mesmo, e no final (se não me engano) enfrenta-se um kobold mago(uma raridade né!).

2 – Início, Meio e Fim!

É amigo, se você achava que construir uma aventura de RPG era completamente diferente de escrever uma dissertação na aula de redação da tia teteca, sinto muito, as duas coisas tem mais em comum do que você imagina! Veja só, outra coisa que vai transformar sua aventura em uma história para ser contada é a estrutura, a continuidade dos fatos. Isso também envolve bom-senso e uma boa noção de razão e consequência, a realidade costuma(só costuma) ser impiedosa com nossos enganos, e maltratar um menininho na praça pública de uma cidadezinha a qual você está apenas de passagem costuma trazer problemas!node-design1

Para simplificar a estruturação vamos dizer que o início seja o motivo, a razão para a aventura planejada acontecer; o meio seria os fatos desencadeados pela circunstância inicial(e isso envolverá os personagens criados pelos jogadores) e o fim é o resultado da interferência dos jogadores em relação à circunstância inicial. Esse pequeno resumo já pode servir como guia para que sua aventura não perca a coerência e no final consiga ser escrita ou contada verbalmente.

3 – Motivo.

Tudo costuma ter, e se não tem, deveria ter um propósito definido. A dica é simples, você precisa querer transmitir algo às pessoas, talvez seus jogadores ou aqueles que lerão ou ouvirão posteriormente a sua história. Não precisa ser algo muito profundo não, mas a tudo que envolve a literatura deveria levar à reflexão, ao crescimento à evolução. Aventuras Cyberpunk fazem as pessoas refletirem sobre aquecimento global, a questão do lixo, preservação da natureza… Há diversos temas que podem ser abordados, e que talvez possam gerar uma reflexão mais séria de um cara que no início só queria jogar um RPG e matar orczinhos.

É claro que essas são apenas algumas opções que nós temos, estou só relacionando as que me vêem à mente em um primeiro momento, e isso me anima, pois torna o RPG um pouco maior do que um jogo qualquer. É claro que há sistemas e aventuras dedicadas exclusivamente á diversão e isso não é nenhum pecado, mas já que nosso mundo é um mundo de oportunidades, eis aí no RPG uma ótima maneira de acrescentar cultura literária à sociedade.

Basta querer.

Saudações J.Berkel