Meus peris, minha perieira: a sua ausência é uma sensação.

Era tarde de uma sexta-feira, e voltando do trabalho, cansado, parei diante da floricultura na esquina da minha rua. Não sei explicar o que aconteceu, se era apenas uma forte intuição ou se acometeu-me a loucura da forma mais estranha (ou peculiar) possível: Resolvi, naquele exato instante, que compraria uma árvore. Assim como não costumo ter surtos deste tipo, também não sou entendido em jardinagem, mas naquela sexta cansada, não sei por que cargas d’agua, decidi que meu quintal teria uma árvore. Dentro da loja comecei a entender a dimensão real do problema.

Era simpática a atendente, bonita como tudo que é produzido em terras brasileiras, engraçado como ela estava em desacordo com o mundo, pois em pleno final de expediente seu estoque de energia para vendas parecia ter acabado de se renovar. O universo compelia-me para a compra, e movido por esta energia fui relacionando uma a uma as espécies que me eram apresentadas.
-E esta aqui senhor, é uma Perieira.
Árvore de papel
Fiquei espantado com a estranha muda.
-Peri-o-que?

-Perieira senhor… Seis meses e a árvore já vai ter a metade da sua altura, mais um pouco e começam a nascer os peris.

-Peris???

-Sim, senhor. O fruto. Peri.

Dei voltas e voltas na loja, como se a compra da árvore errada fosse me levar a um fracasso retumbante (ou à comprovação de que não deveria dar ouvidos à intuições tão repentinas),  mas no final das contas, já tendo desistido de catalogar mentalmente a enorme variedade arbórea que me era apresentada, decidi pela única que conseguia me lembrar com clareza. E levei para casa a Perieira.