Olhos e bocas

Hoje, caros amiguinhos, não podemos olhar.

Curiosos, inocentes, amistosos, respeitosos, confusos, perdidos…

Algo cega nossos olhares, os quer impedir. Isso não tem gênero.  Machucando, implora por provocação. Há ódio latente aí, um ódio sem destino que esconde desejos desesperados, reprimidos. E essa sensação misteriosa, continuamente, sem ser convidada, invade nosso espaço.

Oferto um sorriso, gratuito… E lá vem, espaçosa… Furiosa. Não se pode sorrir também.

Sem olhares e sorrisos, o que será do mundo?

Prometo não olhar e não sorrir. O farei apenas para mim, diante do espelho, para não ofender ou machucar ninguém.

Mas os olhos ainda podem procurar e até encontrar seu lugar, e nesse mesmo lugar os sorrisos ainda se cultivam.

Basta achar.