Adriana mandando bem

O mercado editorial americano dita o que vai ser lido no mundo, simples assim. E a esse mercado falta curiosidade. Tudo o que fuja ao realismo é considerado exigente demais para o leitor, a menos que a obra contenha cenas extravagantes da felicidade à brasileira, junto ao relato antropológico de nossa pobreza terceiro-mundista. Falta a esses editores disposição para ler, de fato, o que escrevemos. Os EUA demoraram cem anos para mencionar o nome de Machado de Assis, reconhecê-lo como gênio. Hello! Fazemos parte da tradição literária ocidental; nossos autores são netos e bisnetos de imigrantes que aportaram aqui por força ou por vontade, e que constituíram uma nação que é a cara do mundo de hoje. Por que não havíamos de ter uma literatura que expressasse tudo isso? Os próprios agentes literários falam da dificuldade em vender os nossos livros por já não possuírem aquela “cor local” que, na verdade, não foi o que produziu nem os nossos melhores romances, nem os nossos maiores autores.

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