Beat Sheet para textos pequenos

Vamos lá, o que você precisa saber para entender isso aqui é:Blake Snyder é um roterista famoso por alguns trabalhos em filmes dos anos 90. Okay, isso pode não parecer incrível, mas o que vale é que ele escreveu um livro, e esse livro sim é importante, por virar referência para escritores e roteiristas. O nome do livro é “Save the Cat – The last book on screenwriting you’ll ever need”. Nesse livro, ele desenvolveu sua própria estrutura narrativa, por achar que o livro do Syd Field, “Roteiro: The Foundations of Screenwriting” deixava muito espaço entre algumas etapas da estrutura narrativa básica.

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E essa estrutura é a tal “BLAKE SNYDER BEAT SHEET”. O que eu posso traduzir porcamente como “A folha de beats do Blake Snyder”. Eu também poderia traduzir beat como pulsação, acho que talvez fizesse algum sentido em português, mas o problema é que os “beats” do Snyder não batem com a definição que eu conheço, que estão lá no “Story” do Robert Mckee (mas isso é uma outra conversa) então acho que para a Beat Sheet, vamos pensar em Beat como a subdivisão de uma história qualquer.

Então seguem as subdivisões do Snyder (Pg.70 do “Save the Cat”), com as respectivas páginas do roteiro em que ele acha que o Beat deve ocorrer:

1. Imagem de abertura (1)
A primeiríssima impressão do que sua história será, o ponto a partir do qual o “herói” começa sua jornada.

2. Declaração do tema (5)

3. Alicerces/Set-Up (1-10)
Nas primeiras páginas do livro o leitor precisará conhecer o herói (quem é, como é, o que deseja), e os riscos que correrá diante do objetivo que vai perseguir.

4. Catalisador (12)
Essa etapa é o “chamado à aventura”, tão familiar para quem conhece a jornada do herói. É a cena onde acontece a TRETA que vai fazer com que seu personagem se mova, parta para a ação, faça alguma coisa!

5. Debate (12-25)

6. Quebra para o ato 2 (25)

7. História B (30)

8. Jogos e diversão (30-55)
Snyder diz em seu livro que essa parte do roteiro trará a “promessa da premissa”. Seu leitor vai se divertir com os acontecimentos e se satisfazer por ter começado a ler seu texto! Ah, foi por isso que eu comecei a ler esse treco(RS). Aí, no próximo beat, os riscos finalmente vão aumentar.

9. Metade (55)
Aqui, além dos riscos aumentarem (e muitos autores dirão que a partir do midpoint os riscos colocam em risco a vida ou algo importante para o protagonista, Snyder diz que a dinâmica da história muda, acontece uma grande revelação (Ele usa como exemplo o filme “Essa pequena é uma parada”/ “What’s Up, Doc?“).

10. Chegou a bandidagem (55-75)
Esse é o momento em que o inimigo/problema/antagonista se reagrupa e ataca com todas as forças. Acho que resume bem o Beat.

11. DEU RUIM! (75)
Aqui é o ponto onde parece que tudo vai realmente por água abaixo. Snyder traz como exemplo o momento icônico de Star Wars em que Obi Wan morre. Realmente, naquele ponto, a coisa fica feia…

12. A noite sombria da alma (75-85)

13. Quebra para o ato 3 (85)

14. Final (85-110)
Aqui é o momento de amarrar as pontas soltas da história, ou de desamarrar aquela pontinha que vai deixar a pulga atrás da orelha do leitor. Então o protagonista vai encarar o antagonista, nas histórias de ação pode rolar uma cena de batalha; nas românticas os amantes finalmente se unem… É o clímax, a vitória chegou!

15. Imagem final (110)


Pois é, o Snyder pensou em um roteiro de 110 páginas, o que faz a gente se desesperar quando quer usar o método dele para fazer uma história pequena. Eu quero pensar aqui em um texto que tenha até 1000 palavras, então parece que são muitos Beats para pouco texto, e você deve ter notado que eu só expliquei alguns Beats. Bem, eu só expliquei os que eu vou usar no meu mini-beat-sheet!

#1 Do início ao problema (1-250 palavras)

Imagem inicial, Set-up, catalisador.
Já que temos só 250 palavras, o essencial será deixar bem claro o centro da história, e as motivações/desejos que a movem. Normalmente o protagonista e a situação em que ele se encontra, mas existem histórias em que o protagonista e o cenário são igualmente importantes, e outras em que o protagonista não é tão importante assim…

#2 Novo, porém tenso (250-500 palavras)

Jogos e diversão (Primeiros riscos)
Pois é, se você conseguiu fisgar o leitor nas primeiras 250 palavras, agora é a hora de fazer o tempo dele valer à pena, geralmente uma situação em que os riscos aumentam.

#3 Quando a coisa fica feia (500-750 palavras)

Metade, Chegou a bandidagem, DEU RUIM
Passado o miolo da história, chega a hora em que as coisas ficam realmente sérias. Aqui o assunto central da história vai se complicar, e seu drama chegará no ponto máximo de tensão.

#4 Como sair do fundo do poço ?(750-100 palavras)

Final
Bem, a narrativa curta dessa maneira normalmente pede uma reviravolta, mas ninguém é obrigado a isso. Você pode simplesmente amarrar as pontas, resolver a história e pintar o cenário final, e para isso as últimas 250 palavras serão mais que suficientes!