XVII – Capítulo 5 – Monstros

Lorde das profundezas

Logo que chegamos, o padre assumiu a prefeitura do vilarejo que era nossa pretensa “base” de operações, e resolvemos interrogar o ser medíocre que servia ao prefeito, uma espécie de mordomo, pois acreditávamos que ele tinha assassinado o antigo prefeito.

Os companheiros do padre são criaturas benevolentes e inaptas para um interrogatório desse tipo: o mateiro índio, Simeão (o crioulo) e um aventureiro mestiço ridiculamente sonhador. Não precisávamos ficar conversando com um traidor indolente, e eu já não o suportava mais quando ele se revelou.

Era um demônio, uma espécie infernal qualquer em seus quatro metros de altura, que tinha sua lealdade vinculada à uma capa que era símbolo da prefeitura. Assim que Vieira vestiu a capa tornou-se “senhor” do demônio. Eu entendia a fé do padre, e pareceu-me que ter uma criatura diabólica como servo era contra seus princípios.