Era uma vez em 1555, os Temiminós e la ille des margaiatz.

PARANAPUÃ
Maracajaguaçu era o Chefe da Nação Indígena dos Temiminós.
Era um Índio Temiminó, do Grupo Tupi.
Vivia com a sua tribo na Ilha de Paranapuã, palavra indígena que significa “seio do mar” a “ilha do mar”.
A ilha era denominada pelos portugueses de Ilha dos Maracajás ou Ilha do Gato.
A baía de Guanabara no Rio de Janeiro, possui 65 ilhas e várias ilhotas e pedras. Dentre todas as ilhas, a maior é a Ilha do Governador (Paranapuã), com 32 quilômetros quadrados. Em Janeiro de 2.000, a população da citada Ilha era de 210 mil habitantes.
A Ilha de Paranapuã era habitada pelos Temiminós, e os Tamoios a denominavam Ilha dos Maracajás ou dos Gatos, porque assim eram chamados os seus primeiros habitantes, cujo Chefe era Maracajaguaçu, que significa Gato Bravo Grande.
Os Maracajás uniram-se aos portugueses, e os Tamoios, mais numerosos, aos franceses, quando estes, em suas incursões pelo Rio de Janeiro e imediações, procuraram fixar-se em terras brasileiras.
Já os franceses chamavam a Ilha de, “Ile des Margaiatz” e de “La Grand Ile”, ou “La Belle Ile”.

ILLE DES MARGAIATZ (La Grand Ille)

Cartas Náuticas comprovam que a Aldeia de Maracajaguaçu ficava na hoje Ilha do Governador, dentro da baía de Guanabara.
A posição da Ilha dos Gatos, no meio da Baía de Guanabara era de tão grande importância que os Tamoios não davam trégua. Constantemente promoviam incursões até a ilha atacando os Temiminós, com o objetivo de expulsá-los da região.
Da ilha se tinha uma ampla visão de toda a baía, podendo se avistar a aproximação de navios inimigos. Estrategicamente a ilha era de grande importância nas Guerras e defesa aos ataques de Navios inimigos.
Apoiado pelos franceses, que em novembro de 1555, fundariam no Rio de Janeiro um povoamento chamado de França Antártica, os Tamoios se fortalecem e em 1554, passam a atacar os Temiminós vencendo-os em algumas batalhas, enfraquecendo a grande Nação de Gato Grande, a qual sai em busca de asilo para mudança de local.

NAÇÃO DOS TEMIMINÓS
Conforme documentos históricos coletados pelo historiador Escritor Áureo Ramos, residente na Ilha do Governador, os aldeamentos indígenas pertencentes aos Temiminós, na Ilha de Paranapuã, eram:
Aldeamento do Morro das Pixunas, próximo a Praia Grande;
Sambaqui das Pixunas;
Aldeamento da Praia da Tapera, atual Praia da Bandeira;
Sambaqui do Jequiá;
Aldeamento do Morro da Viúva, atual Morro do Zumbi;
Aldeamento do Morro do Matoso;
Aldeamento São Tomé, etc.
Historiadores informam que eram mais de 2.000 índios entre adultos e crianças.
Antigas Aldeias possuíam também os “sambaquis”, que são depósitos de conchas com restos de cozinha e esqueletos (o lixo atual).

A FUGA
Os Temiminós eram amigos dos portugueses.
Os índios chamavam os portugueses de “perô”.
Os Tamoios, mais numerosos, eram inimigos dos portugueses.
A sorte de Maracajaguaçu começou a mudar, e ele passou a perder algumas batalhas, para os seus inimigos, os Tamoios que moravam no litoral.
Maracajaguaçu resolve mudar de região.
Precisava de um lugar novo e mais distante de seus inimigos.
Para o sul não poderiam ir, já que os Índios da Capitania de São Vicente também eram inimigos dos Temiminós. Restava, pois o norte, onde ficava a Capitania do Espírito Santo.
A visita que Tomé de Souza fizera, anos antes, a Ilha de Paranapuã tinha consolidado uma amizade entre os Portugueses e Temiminós, credenciando Maracajaguaçu a pedir ajuda, agora que se via em desvantagem e constantemente agredido pelos Tamoios.

DONATÁRIO COUTINHO OFERECE ASILO
Entendeu Maracajaguaçu de enviar um emissário, à Capitania do Espírito Santo para pedir socorro, pois os Temiminós:
“Necessitavam mudar-se e se tornarem Cristãos”.
O emissário de Maracajaguaçu inicialmente não encontrou Vasco Coutinho, que estava em viagem. Esperou alguns dias sem sucesso. Já retornava desolado ao Rio de Janeiro, quando soube que o Donatário havia chegado.
Voltou à sede da Capitania e foi recebido por Vasco Fernandes Coutinho, o qual, aconselhado pelos Jesuítas, Luiz Da Grã e Braz Lourenço, mandou quatro embarcações ao Rio de Janeiro.
No Rio de Janeiro os Temiminós de Maracajaguaçu foram recolhidos em “um dia e meio” embarcando com pressa, dada a “extrema necessidade”.

CARTA DE LUIZ DA GRÃ
A escritora Maria Stella de Novaes relata equivocadamente o seguinte: “há divergências entre os cronistas (escritores), se houve, de fato, convite a essa tribo, ou pedido de asilo, pelo Chefe Gato Grande, em vista da penúria em que a mesma se encontrava, no Rio de Janeiro, perseguida pelos franceses”.
O pedido de asilo está bem claro e relatado em documentos históricos.
O padre Luiz Da Grã, que escreveu uma longa carta onde conta a vinda de Maracajaguaçu para o Espírito Santo, destaca de forma bem clara que realmente houve o “pedido de asilo” e o “estado de necessidade”.
Consta da carta: “Afirmavam a extrema necessidade e lhes parecia que daí a mui poucos dias seriam comidas dos contrários”.
Os contrários eram os Tamoios, que praticavam o canibalismo. Isto é, comiam os seus inimigos.

CANIBALISMO ANTES DA FÉ CRISTÃ
O ódio entre Temiminós e Tamoios era tão selvagem e intenso que ambos, antes de se converterem a fé Cristã, se alimentavam de carne humana, usando prisioneiros.
No livro de Cybelle M. Ipanema, “História da Ilha do Governador”, na página 52, há relatos de churrascos humanos feitos de inimigos tanto pelos Temiminós como pelos Tamoios:
“Também eu, valente que sou, já amarrei e matei vossos maiores. (…) Comi teu pai, matei e mosqueei a teus irmãos (…) e ficai certos de que, para vingar a minha morte, os Maracajás da Nação a que pertenço, hão de comer ainda tantos de vós quantos possam agarrar”.
Comprova-se que havia ferocidade nos combates entre Temiminós e Tamoios e que os Temiminós eram canibais, costume que só terminou quando vieram para o Espírito Santo e se tornaram Cristãos.
Embora os Temiminós em Guerra tivessem sofrido inúmeras baixas, a Nação Temiminó era grande e todos sobreviventes vieram para o Espírito Santo.

ÍNDIOS EMBARCAM EM QUATRO NAVIOS
Os quatro navios enviados pelo Donatário do Espírito Santo permaneceram um dia e meio na Ilha do Governador, para que fosse feita a mudança dos índios.
O período de um dia e meio mostra que a quantidade de índios não era pequena e que os mesmos embarcaram, além de pertences pessoais, os histór
icos (materiais) da Tribo.
Os quatro navios estavam equipados com artilharia, para repelir em caso de agressão, ataques dos Tamoios e dos franceses, que eram constantes no Rio de Janeiro.
Os franceses empenhados em invadirem as terras do domínio português, faziam constantes viagens ao Rio de Janeiro, onde com o apoio dos Tamoios iam formando um povoamento que em novembro de 1555, seria a base de fundação da França Antártica.

Retirado de:
http://trovadoresbrasileiros.blogspot.com.br/