Profecia

Vieira tomara o rumo da capital porque haviam relatórios para entregar à igreja, e a viagem de retorno foi cansativa, diferente dos dias tranquilos que passaria na cidade. Até que recebeu uma carta com a nova convocação de Athos, seu líder. Quando chegou ao convento, o religioso teve a oportunidade de ver pela primeira vez uma amazona: essa era Aurora, dona de belíssimo corpo feminino, e ficou curioso com sua bela e grave voz.

O saber popular dizia que Amazonas viviam em cidades na floresta, mas como Aurora haviam poucas, pois ela tinha detalhes fisiológicos que, se expostos, levariam um colono ignorante a classificá-la como homem. Mas essa não é a verdade do mundo, apenas a verdade de alguns brancos, e talvez por isso nenhum homem tenha visto “uma amazona macho”.

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Athos estava preocupado, e não fazia questão de esconder. Haviam boatos sobre uma profecia, sobre a chegada de um mal inominável, e Vieira ficou boquiaberto quando seu líder contou-lhe que aldeias inteiras do interior tinham sido dizimadas, e que esse mal estava sendo chamado de Piamã. Sua nova missão seria descobrir o que andava acontecendo. Vieira conhecia um nativo chamado Piamã, e na última vez que o vira estava acompanhado pelos aymorés, quando lhe confiara uma pequena tarefa: proteger a árvore deles. Mas não sabia o que tinha acontecido depois. A mando dos religiosos da capital Vieira partiria novamente, dessa vez em busca da cidade das amazonas, o que não passaria de um boato, se não fosse a presença de Aurora.

Junto da amazona, Vieira tomou o caminho para o interior da floresta, até o ponto em que encontrou-se perdido e sem comida naquele ambiente hostil. Aurora parecia tranquila, e quando percebeu que a magia do branco não funcionava mais, passou a guiá-lo e a caçar para os dois. Continuaram então, perambulando por caminhos sinuosos, até que o religioso adoeceu. Quando Vieira acordou, dentro de uma cabana improvisada, tinha diante de si aquele que procurava: Piamã, que parecia contente em revê-lo.