Rosas ao redor – Parte 04

Alaor era um mestiço corpulento, que apesar de ser uma pessoa hábil e astuta somente após anos de convivência obteve de Mestre Santo sua atual responsabilidade: proteger um de seus discípulos. Já via ao longe a casa que tanto amava, depois de tantos dias viajando, e mal podia conter a ansiedade da chegada, quando repentinamente parou. Sentiu o perfume mas nada viu, no entanto percebeu a presença, e teve a premonição. Então veio, como um golpe, e a habilidade que lhe rendera seu outro nome foi o suficiente. Um pequeno enorme contratempo.

Mas o desejo de chegar foi satisfeito, e na casa ele encontrou Santo, que ajeitava na rede um desacordado pitiguara, gesto paternal que muito significava. Alaor sabia que a vida do jovem estava prestes a mudar.

-Mas Santo, você conseguiu descobrir alguma coisa sobre o paradeiro dela?

-Descobri outras coisas onça, e ela pode até estar lá, mas não a vi. Os paulistas procuram por ela, colocaram um preço em sua cabeça. Estão perto da cidade, e andam intimidando os índios da aldeia.

-Tem certeza? Estamos todos empenhados na proteção dessa casa, não podemos cuidar da aldeia, muito menos da cidade.

-Não sei o que acontecerá, mas é a sina de Pitiguara estar ali, agora que os paulistas acamparam. Deve deixá-lo por perto, e se quiser pode até ajudar Daniel com tudo isso. Mas antes de mais nada, descanse, coma e beba. Parta em seguida.

Sob tais ordens, Alaor pediu licença ao mestre e pôs se a obedecer. Com o amanhecer ele partia levando pitiguara no ombro, pensativo.

Onça correu veloz, um tipo de mestiço que os homens são incapazes de entender. Já o protegido não era leve como na primeira vez que se encontraram. Curioso ser tão parecido esse primeiro encontro com a atual situação, que acendeu vivamente as lembranças de quando carregou pitiguara nas costas: O adolescente tinha personalidade e manejava o arco como poucos, mas ao treinar com um rapaz mais velho pitiguara não pode resistir aos golpes e foi derrotado. O jovemzinho desacordado foi entregue a Alaor, que o guiaria em sua primeira tarefa. Ao acordar o índio mostrou o semblante surpreso que onça veria tantas vezes, ao explicar a missão onça entendeu como era determinado aquele garoto e quando o viu disparar a flecha certeira, soube que Santo o escolheria.

-Tio onça, quem é esse homem?12PCS-Japanese-font-b-Arrows-b-font-handmade-bamboo-font-b-arrows-b-font-archery-font

-Pitiguara, não era um homem, era um paulista.

-Eles são maus?

-Tudo que sei é que eles são incapazes de nos compreender. Mas saiba que essa é a primeira flecha vermelha, antes das muitas outras que serão disparadas por suas mãos, que servirão para construir um mundo onde pessoas como eu, você e Santo terão oportunidade, ainda que pequena, de sobreviver.

Não demorou um dia até que Alaor, cansado, entrasse na cidade, indo ao encontro do padre, que os recebeu. Pitiguara ainda estava desacordado.