Uma cliente inesperada [livro]

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Dois Legais!

Acho que tenho uma ojeriza natural com relação a best-sellers, e pego os livros já preparado para uma enorme frustração. Uma cliente inesperada não foge à regra, e tratando-se de um romance policial, fico inclinado a comparar cada palavra usada ao que já li e reli do mestre Edgar Alan Poe. Trata-se de um investigador particular que recebe um telefonema de um affair antigo, pedindo ajuda para a filha que eles tem em comum. Confesso que é realmente difícil encontrar o que o livro tem de original, e depois de algum tempo entreguei os pontos: não há! Mas cabem duas observações: primeiro que a receita básica dos romances de suspense está quadradinha, e a galera que curte Agatha Cristie vai se esbaldar. Segundo que apesar de declaradamente “policial” temos uma pitadela de romance romântico, o que não acrescenta nada ao livro em qualidade, mas pode atrair amantes de Jane Austen e afins!!
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No final das contas Ms. Brown acaba deixando bem claro suas intenções com o livro, que é puro entretenimento e focado em um público mais restrito do que os admiradores de romances policiais. Isso fica bem mais claro quando quem já leu “Corte Súbito” percebe as referências e entendemos enfim que este é um livro feito para quem lê Sandra Brown.

Com relação a referências tupiniquins, digo que entendo perfeitamente quem lê por entretenimento, acho válido. Mas aconselho seriamente a leitura de Rubem Fonseca. Já que aconselhei Rubem (que é tenso, violento, inteligente e interessante), vou além de referências meramente verde-amarelas e aconselho também a leitura de E.A. Poe, e até mesmo Sir A. C. Doyle, para que o amigo que por acaso está lendo essa crítica tão áspera e até mesmo insensível, possa mergulhar definitivamente no que existe de original, criativo e empolgante do gênero policial.