Vivas aos monstros

Acordei de madrugada passando mal, não consegui voltar a dormir. Abro o facebook, rede social que venho podando como um bonsai há bastante tempo, e minha linha do tempo parece aqueles programas de violência policial. Não que eu tenha cometido uma série de enganos ou o terror esteja me alcançando nessa madrugada, mas parece que as intenções não são ruins.

As pessoas estão divulgando votações de projetos de lei bizarros e prejudiciais ao povo, detalhando estupros, publicando seus devidos assaltos, compartilhando assassinatos, maus tratos a animais, descrevendo atos de machismo… Fazem isso por uma boa causa, na melhor das intenções. Eu tenho certeza que os seres que cometem estes atos se deleitam com essa propaganda gratuita, monstros são incapazes de enxergar sua violência e o sisteminha que permite que continuem impunes.

Parece que existe uma preocupação na divulgação do malfeitor. É o “merchan” do monstro. Fica uma sensação triste de que o fazem com um pequeno grau de prazer. Talvez seja um erro meu, erro de avaliação mesmo, achar que a repetição constante do ato vil seja um tipo de masoquismo, sei lá.

Nós criamos esses monstros?

Lembra da corrente do bem, aquele filme bobinho com o garotinho que inventa um jogo que consiste em retribuir cada favor que você recebe a outras três pessoas? Não lembra desse garotinho? Bem, talvez lembre se eu disser que o mesmo garotinho fez aquele outro filme, chamado “O sexto sentido”.

Talvez seja esse o motivo, o bem não parece ser tão legal. Nunca o monstro teve tanta visibilidade, nunca os sobreviventes foram tão invisíveis. Será que vocês, galera das boas intenções, estão fazendo isso da maneira certa? Acho que não.