Príncipe Lestat [livro]

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Dois legais, Anne. 😦

Retorna o vampiro Lestat. O que posso dizer? Sim, ficamos todos ansiosos e já imaginando que o lugar da poderosa Akasha (a primeira mãe dos vampiros de Anne Rice), agora ocupado pela milenar gêmea ruiva Mekare será curiosamente ocupado pelo mais exibido, hedonista e vaidoso vampiro de todos os tempos. Já que o título é uma sugestão, cabe-nos perguntar como.

Lestat foi desenhado através das crônicas vampirescas como um entre tantos outros sombrios mestres da sedução no sangue (coloca-se na posição de narrador e isso é parte de sua vaidade).  E as crônicas anteriores à “Príncipe Lestat” nos apresentam alguns medalhões que sobreviveram aos milênios e ganharam maturidade. Destaco entre os mais notáveis o romano Marius e sua amada Pandora, o estudioso David Talbot, o amante de Lestat Louis de Ponte du Lac, o incrível menino eternamente religioso chamado Armand e finalmente os mais incríveis entre eles: as gêmeas Maharet e Mekare e o vampiro “feliz” chamado Khayman.

Esses personagens chave de Anne eram os vencedores dos milênios. Cada um a seu próprioprince-lestat-2014-versc3a3oamericana modo sobrevivera séculos e até milênios ao tempo, atingindo graus variados de maturidade. Marius era uma espécie de testemunha do progresso humano, Pandora uma criatura visceral que era delicada e violenta ao mesmo tempo, Talbot um acadêmico da eternidade, Louis uma criatura movida pelo amor quase religioso aos humanos, Armand um religioso eternamente em busca de um sentido para sua existência… E as gêmeas… Maharet era a verdadeira mãe, não dos vampiros, mas mãe de sua descendência, e Khayman uma personificação da antiguidade e de uma forma de encarar a vida e o tempo que há muito foi esquecida (análoga ao rir pra não chorar tão brasileiro). E Mekare? A gêmea muda era justamente o maior mistério, praticamente do nível da “força” em Star Wars, pois pouco se podia saber sobre ela e menos ainda sobre aquilo que habitava ela.

O problema de Mekare é o centro de “Príncipe Lestat”, pois nela reside o cerne sagrado que desata uma “guerra” entre os vampiros.

E o problema de “Príncipe Lestat”, longe de condenar Mekare já no título, é inserir uma fileira interminável de novos personagens planos, não dar profundidade aos que já conhecemos e até mesmo eliminando sem dó, piedade ou alguma explicação razoável algumas peças essenciais no tabuleiro que ela mesma armou. O resultado final é: já era, meu amigo, ninguém vencerá o tempo apenas a inconsequência própria a Lestat; e até isso é questionável, já que ele é maduro um capítulo e completamente infantil em outro (e vice versa, o que não é inconsequência e sim instabilidade emocional! rs)!! Resta ao final o prazer no sangue e os avanços científicos que estavam presentes desde a Rainha dos Condenados (agora também usados pelos vampiros para seus próprios fins).

Ela podia focar nos personagens já apresentados, aprofundá-los… Anne, se tem fantasmas, CADÊ A CLÁUDIA??? Ai, ai… Mas não amigos, a ausência é o remédio para a sobrevivência e a certeza é de que tempo sempre vence no final. Estamos condenados. Os sobreviventes estavam convenientemente escondidos.