1. Notícias do viajante

             Era manhã, e o dia dava as boas vindas à estação mais fria que se aproximava; ou seja, o céu acinzentado e o vento suavemente frio enchiam de preguiça os que acabaram de acordar. Em uma casa simples, Lizbela contemplava o movimento nas ruas do vilarejo onde morava. Pessoas comuns, camponeses, montavam pequenas barracas na rua para vender suas mercadorias. Alguns escravos já estavam por ali também, montando a venda de seus donos ou já selecionando legumes e verduras frescas que provavelmente tinham acabado de ser colhidas. Era o dia da feira, e Liz pensava no que devia comprar para aquela semana.

             Sua mãe estava na mesma sala, dormindo profundamente em uma rede. Também, depois de trabalhar a noite toda preparando o desjejum e já pensando no almoço que seria servido na estalagem em que trabalhava, ela merecia aquele descanso. Já que Liz queria agradar a dedicada mãe, imaginou que quando ela levantasse correria para o trabalho, então aproveitou a empolgação pelo fervilhar da feirinha lá fora para pôr-se em movimento: saiu da Janela e foi para o quarto da casa humilde, afim de se preparar para sair e comprar o alimento da semana. A caminho da saída esbarrou na mãe, que havia acordado nesse meio tempo. A sonolenta senhora lhe falou, enquanto se espreguiçava:

            – Lisbela, tem notado que o vilarejo está mais agitado do que o normal?

         Claro, a jovem tinha notado algo diferente, e com certeza isso dizia respeito aos novos hóspedes da estalagem. Nara, sua mãe, nunca tinha sido tão exigida como nos últimos dois dias, e ela já trabalhava ali desde que era moça! Viajantes eram uma grande novidade, mas Liz se preocupava mais com seus deveres de filha.

            – Sim, mãe. desculpa incomodar seu descanso. Eu preciso ir até a feirinha, comprar alguns legumes.

            A senhora emendou:

        – Fique tranqüila, meu sono pode esperar! responda a pergunta!

        – Bem, é óbvio que sim. Houve alguma coisa?

        – Ora, mocinha, algumas pessoas importantes estão hospedadas na estalagem. E quero você trabalhando comigo amanhã cedo, para o café. Liz sorriu, e aceitou prontamente.

             Satisfeita com a resposta, a senhora saiu do caminho para a passagem da menina.

         – Muito bem, não esqueça hein! Te encontrarei lá na porta da estalagem, quando o sol estiver nascendo.

           – Tudo bem, disse a Jovem.

            Lizbela logo pôs-se à feira, para espantar a solidão de mais um dia de trabalho. Depois reuniu os dois escravos que estavam a serviço da casa (sim, a mãe de Liz tinha alguns escravos, o que significava que a pequenina família tinha algum status) e tratou de terminar rapidamente os afazeres domésticos, pensando em recolher-se mais cedo. No dia seguinte pela manhã, foi à Hospedaria, sendo recebida por sua mãe na porta. O lugar não estava como de costume. O salão de recepção normalmente tinha mais mesas e cadeiras do que podia comportar, mas amanheceu limpo e devidamente arrumado. Ao entrarem somente um idoso estava no recinto, sentado em um canto fumando um grande cachimbo. Nara disse então:

           – Filha, esse é o senhor Razsam, um velho amigo, e servo de confiança de alguém que você precisa muito conhecer. Vou deixa-los a sós um pouco, preciso ver algumas coisas na cozinha.

        Dizendo isso a mãe de Liz se retirou. Levantando de sua cadeira o velho homem a cumprimentou e disse, parecendo impressionado com a jovem diante de si.

           – Menina, venho até aqui para oficializar um convite de seu estimado pai.

           Ao ouvir isso a moça se surpreendeu: – Meu pai está morto, isso não é possível!

Originalmente publicado em whattpad