Enquanto isso, lá no Acre…

A sopa de letrinhas bizarramente construída sobre referências pop em que a mídia transformou um rapaz desaparecido lá nas terras do Acre é espantosa. Talvez o fascínio tenha base na geração youtube, aquela que faz valer o “eu só vejo o que acho que quero e jogo fora o que acho que não quero” em todas as instâncias. Nossa mídia está desesperada por um messias da superficialidade, desejosa por uma nova e definitiva oportunidade de lucrar com essa galera.

Mas no final das contas temos em nosso “Full Metal Acremist” um rapaz possivelmente solitário, que se relaciona com o mundo através da telinha do computador, e em seu jeito de enfrentar alguma crise pessoal ou pertinente à idade, “fugiu”, deixando para trás uma enciclopédia criptografada com base no manual do escoteiro mirim (que é uma relíquia dos anos 70/80).

A garotada está encarando isso como um grande mistério, espantada com a admiração do rapaz por Giordano Bruno. Bem, Giordano Bruno não é o cara que disse – em momento histórico delicado para esse tipo de declaração – que o universo era infinito e que os planetas giravam em torno do sol? Então se o rapaz alega que continuará o trabalho, o que ele quer ser é astrônomo. E isso é louvável. Mas o turbilhão anseia por qualquer reunião de referências colhidas na internet que constitua um caldo de coisas que sejam ou pareçam minimamente sobrenaturais, e que girem em torno de uma pessoa. Explicando melhor: é preciso uma imagem e uma “história”. Os midiotas raciocinam: – Ah, nesse dia vamos vender horrores.

A única coisa que consigo pensar, sinceramente, a respeito é a seguinte: coitado desse rapaz, que ele consiga superar essa crise e que nada de mal aconteça a ele. E logo depois de pensar isso, começo a imaginar um mundo onde as pessoas consigam ser simplesmente pessoas, cada uma com suas esquisitices. Seria lindo, né?