10 silêncios – Dia da Mulher (Parte 3)

Hei de silenciar-me, mas sem perder a ternura, jamais!
A parte que me cabe nessa semana é homenagear, e faço isso passando a palavra a elas:

E danço um tango com você

eu li nas tls do mundo que mazombos e mazombas
acham bem normal um estupro, que as mina tão se entregando
assim facim facim
e eu lembro que os afegãos estupram mulheres de burca
porque elas exageram no kajal e rímel
eu ouço que uma menina de 8 dá rindo o que eu não dou chorando.

tenho vontade de vomitar enquanto olho o vão do metrô que nunca vai chegar.
não sai nos jornais, inúmeras gentes – essas mulherzinhas também –
se jogam ali todos os dias.
eu não vomito. hoje é aniversário da maria e quero enfeitar seu corpo
de flores, de cheiros e uivos.

toda vez que penso na maria tenho vontade de chorar.
eu perdoo o mito da superioridade de kipling. perdoo o esquerdismo do ggm.
eu perdoo o oportunismo dos poetas do meu tempo.
você, peço licença ao seu pai exú, te perdoo não.
não engulo a sua arte e te mataria por isso,
sr. polanski, sr. brando, sr. aleijadinho.

penso nas normalidades desses senhores

ela se insinua
é pelo cinema, é por amor
por deus, deixe – viver a vida

ora, uma maria assim tão dada
uma maria assim tão nua
uma maria assim com virgindade tão apertada

uma maria como todas as outras, pronta pra violação.

maria, seus olhos imensos duas amêndoas me comovem.
sei que não sei dar amor a quem me estende a mão
eu amo o feio e a deformação
mas olha, você me olha
e eu só quero encher seu corpo das flores mais lindas

eu te amo maria
seu território também é meu
seu silêncio também é meu
amo você todos olhos moles, todas as marias violadas,
anônimas.

Nina Rizzi (http://ninaarizzi.blogspot.com.br/), paulista radicada em Fortaleza/CE. É escritora, historiadora e arte-educadora. Tem textos e poemas publicados em antologias, revistas e em várias páginas da internet, entre elas, Germina e Zunái. Publicou os livros de poesia Tambores pra N’zinga e A duração do deserto.

#Silêncio sexto:

LÁGRIMAS DE MULHER

Lágrimas que vertem nos olhos
Salgadas como a tristeza que aflora
Cansadas de seus abrolhos.
Deslizam sem culpa pela face afora.

Lágrimas que sufocam a saudade!
Que apagam os sonhos e geram vidas,
Lágrimas de alegrias, de realidade,
Deslizam nas faces sofridas.

Lágrimas caprichosas,
Das damas, das meretrizes,
Das donzelas e das senhoras,
Sonhando com os matizes.

Lágrimas que envolvem a sorte,
Que acompanham os filhos à guerra,
Teimosas que levam a morte,
Inconsoláveis que molham a terra!

Lágrimas que acalentam o filho,
Que regam um amor perdido,
Enganam um coração sofrido,
Que esperam por um sorriso!

Uma gota de lágrima quente,
Que nasce por um motivo qualquer…
À torna um ser diferente,
Incessantes lágrimas de mulher…

Silvia Trevisani (http://escritorasilviatrevisani.blogspot.com/) nasceu em Gália, interior de São Paulo e aos seis anos mudou-se para Campinas-SP. É professora de português, escritora – poetisa, contista e contadora de histórias.

Continua em: desilusoes.com/2018/03/10/10-silencios-dia-da-mulher-parte-4/

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