Desilusão

Patativa do Assaré

Como a folha no vento pelo espaço

Eu sinto o coração aqui no peito,

De ilusão e de sonho já desfeito,

A bater e a pulsar com embaraço.

 

Se é de dia, vou indo passo a passo

Se é de noite, me estendo sobre o leito,

Para o mal incurável não há jeito,

É sem cura que eu vejo o meu fracasso.

 

Do parnaso não vejo o belo monte,

Minha estrela brilhante no horizonte

Me negou o seu raio de esperança,

Tudo triste em meu ser se manifesta,

Nesta vida cansada só me resta

As saudades do tempo de criança.

 

– Patativa do Assaré, em “Ispinho e Fulô”, Ceará: UECE/Prefeitura Municipal de Assaré, 2001, p. 182. (grafia original)