Assim se faz

(Giovani Gomes)

Photo by Andreas Wagner on Unsplash

É de sonho e de vento que se faz, mané. É. Você sonha, mané, mesmo que não queiram que sonhe, você faz isso de dia, de noite e quando está de pé no ônibus voltando para casa até que aquela moça ou moço tão bonito ou bonita (que provavelmente tem quarenta e poucos anos e dificilmente vai olhar para você) te dá o lugar mágico: a janela do ônibus. E então o motorista vira piloto (porque tu sonha, mané), e você abre a janela e descobre que o sonho pode ser melhor e o moço e mulata ou moça mulato de quarenta e muitos, tão, e, cada vez mais tão bonita sorri para você já do lado de fora e o ônibus agora jato dispara e o pensamento viaja porque o vento faz isso mané, balança o cabelo e o cerebelo, você sente que tem sangue e está ali compartilhando sonho com os outros manés ou manas nas janelinhas dos ônibus sentindo o vento nos cabelos ou nos cucurucos. E então você entende que esse borrão lá fora quando você olha o asfalto perto ou o arco-íris lá longe surgindo depois da chuva é poesia e ao mesmo tempo é todo mundo, é você.

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