As mais apaixonadas ilusões

Estes textos, que chamo de Repassado, são os cinco cadernos que escrevi quando não estava jogando Pitfall ou River Raid, quando voltava da escola e ouvia uma fita cassete (K7), na qual tinha gravado o precioso “Quatro Estações”, que não era do Vivaldi e, sim, da Legião Urbana. Cinco cadernos escritos antes e depois de fechar Mara Luiza na rua com minha bicicleta e declarar meu amor infantil para que ela depois nunca mais falasse comigo. Triste? Não. O que nos falta é justamente aprender a amar os defeitos, um primeiro ensinamento do Repassado. Mara Luiza é mais amada hoje do que foi naquele dia triste de rejeição, porque foi justamente seu defeito de jogar fora as poesias e fechar olhos e ouvidos para o poeta que ajudou aquele jovem a se aperfeiçoar tanto na escrita de suas poesias, quanto na maturidade de seu coração.
Assim como o coração desiludido do jovem poeta, Repassado não seguirá a ordem da razão. Apenas transcrevo dos cadernos o que encontro, da forma que estiver. Este primeiro poema, por exemplo, é uma folha solta. Aliás, arranquei várias folhas deste, não me lembro porquê, mas elas estão soltas aqui. Este é meu re-passado amarelo, uma folha solta onde fica difícil encontrar o “re”. Aliás, eis aí uma primeira convenção, o “re” que me desafio a encontrar em cada folha deste passado que escrevo.